ALENTEJO
PRÓXIMO ANO LECTIVO TERÁ MENOS 30 A 40
ESCOLAS DO PRIMEIRO CICLO
EDUCAÇÃO
[06 JUL] »»
O Alentejo vai arrancar o próximo ano lectivo com menos cerca
de 30 a 40 escolas do primeiro ciclo do ensino básico. Esta
situação resulta da intenção do Conselho
de Ministros, no início do mês, em encerrar todos os
estabelecimentos de ensino com menos de 21 alunos, embora a nossa
região tenha diminuído a fasquia para as 11 crianças.
O anúncio foi feito pelo director regional de educação
do Alentejo, José Lopes Verdasca, depois de ter estado reunido
com uma delegação de pais, encarregados de educação
e autarcas de vários concelhos do distrito de Évora
que numa vigília, realizada terça-feira, em frente à
Direcção Regional de Educação do Alentejo
(DREA), em Évora, manifestaram a sua preocupação.
José Lopes Verdasca avançou que este número de
escolas sinalizadas para encerrar não está ainda fechado,
“uma vez que há casos que estão ainda em análise”,
asseverou, explicitando que antes da tomada de qualquer decisão
“haverá sempre uma análise, contextualização
e reunião com os presidentes dos municípios”.
O responsável da DREA fez questão de salientar que vai
a cada uma das escolas que está sinalizada “para ver
com os meus próprios olhos se é uma escola que tem,
de facto, intervenções de requalificação,
se o seu funcionamento pedagógico é bom e se são
servidas as refeições com todos os requisitos de higiene”.
Em seu entender, estas são variáveis “de grande
peso” que podem vir a alterar a situação das escolas
sinalizadas e levar a DREA a reequacionar o seu encerramento “por
se constatar que os alunos não iriam ter melhores condições
se mudassem para a escola de acolhimento”.
Esta vigília que reuniu, aproximadamente cem pessoas, foi promovida
pelas associações de pais de Santana do Campo e Sabugueiro,
pertencentes ao concelho de Arraiolos, a que se juntaram também
pessoas dos concelhos de Évora, Borba e Portel, onde está
previsto também o encerramento de estabelecimentos de ensino.
Contudo, os concelhos de Montemor-o-Novo, Mora e Vendas Novas estiveram
igualmente presentes como forma de solidariedade para com esta problemática.
O porta-voz da delegação que foi recebida pelo director
regional e pela governadora civil de Évora, Fernanda Ramos,
o presidente da Câmara de Arraiolos, Jerónimo Lóios
protestou contra a intenção governamental de fechar
as escolas sinalizadas reiterando que “as crianças não
são números e devem ser o último caso em que
se devem estabelecer tectos. Como dizia um dos pais na reunião
que tivemos agora com a DREA, não devem ser elas a pagarem
a crise”.
O autarca comunista assegurou ainda que os alunos destes estabelecimentos
de ensino “não estão isolados do resto do mundo
porque têm todas as condições, desde computadores,
acesso à internet e actividades extracurriculares”, sublinhando
registar como positiva a garantia dada no sentido de não haver
encerramento das escolas com menos de 11 alunos,”embora esta
seja uma fiança a prazo, uma vez que não pode ser dada
para os próximos anos lectivos”.
»» Maria Antónia
Zacarias