PRÉMIO
DE ARTES 2009
ARMANDO ALVES DISTINGUIDO PELO CASINO DA PÓVOA
CULTURA
[15 DEZ] »»
O pintor Armando Alves foi o distinguido pela quarta edição
do “Prémio de Artes Casino da Póvoa”.
O júri justifica a distinção “como reconhecimento
pelo seu alto contributo para a Arte e a Cultura em Portugal”.
A atribuição do prémio, no valor de 30 mil euros,
foi divulgada dia 11 de Novembro e a entrega vai realizar-se em cerimónia
solene no Casino da Póvoa, pelas 21 horas de dia 18 de Dezembro.
Para além do prémio monetário a distinção
envolve, ainda, a aquisição de uma obra ao artista plástico
estremocense, no caso uma escultura, sem título, que vai integrar
a colecção de arte do Casino da Póvoa, e a publicação
de uma monografia.
Armando Alves junta-se, assim, ao pintor Nikias Skapinakis vencedor
da primeira edição (em 2006) do Prémio de Artes
Casino da Póvoa; ao escultor Alberto Carneiro (2007) e ao pintor
Júlio Resende (2008).
Armando Alves nasceu em Estremoz em 1935. Ainda na escola da cidade
natal é incentivado por um professor, atento ao seu jeito e vontade
para o desenho e modelação, para seguir os estudos na
área das Belas Artes. Seguindo o 'conselho' fez o Curso de Preparação
às Belas-Artes da Escola António Arroio em Lisboa e rumou
ao norte para o Curso de Pintura da Escola de Belas-Artes do Porto,
que concluiu com a máxima classificação. Foi docente
desta Escola entre 1962 e 1973. Juntamente com os artistas Ângelo
de Sousa, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, formou o grupo "Os
Quatro Vintes" em 1968 (alusão à nota de classificação
do Curso).
A sua apetência para o design leva-o a desenvolver importante
actividade na área das Artes Gráficas, contribuindo para
a sua renovação e valorização.
A sua obra tem sido exposta em Portugal e no estrangeiro, estando representada
em várias colecções particulares e públicas.
Na sua produção artística sobressai a pintura mas
Armando Alves tem feito também incursões por outras vertentes
da Arte, nomeadamente, pela escultura e ilustração. De
sua autoria podem ser vistos em espaços públicos a tapeçaria
da sala de audiências do Tribunal de Estremoz; o monumento à
artesã Tapeteira, em Arraiolos; uma escultura no jardim da Escola
Superior de Enfermagem de Beja ou o vitral no edifício da Tabaqueira
em Lisboa, entre muitos outros. Recebeu vários prémios
e distinções.
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, entregou-lhe
em 2006 durante a cerimónia comemorativa do Dia de Portugal,
de Camões e das Comunidades Portuguesas [na Alfândega do
Porto] a insígnia de do grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito
com que o agraciou.
Radicado no norte [Matosinhos] continua a ter casa e atelier em Estremoz
onde se desloca e trabalha com frequência. Também em 2006
[Outubro] a Câmara Municipal de Estremoz atribuiu-lhe a 'Medalha
de Ouro da Cidade'.
A Câmara Municipal do Porto agraciou Armando Alves em 1988 com
a Medalha de Mérito - Grau Ouro e, no ano passado, o Círculo
de Cultura Teatral / Teatro Experimental do Porto consagrou-o seu Sócio
Honorário.
Uma mostra da obra de Armando Alves – 17 Desenhos, dez dos quais
num políptico; duas Tapeçarias; dois Objectos [escultura]
e 40 Pinturas – pode ser (re)visitada até 30 de Janeiro
próximo, na Galeria Valbom (Avenida Conde Valbom, 89-A) em Lisboa,
numa exposição inaugurada dia 14 de Novembro.
Sobre a obra de Armando Alves dos últimos 30 anos diz Bernardo
Pinto de Almeida, a dado passo do texto que abre o catálogo da
exposição – «tem sido a forma de aprender
e de comunicar uma sábia e sóbria disciplina de pintar,
que se foi tornando cada vez mais capaz de essencializar e de conter
os gestos da pintura numa espacialização das cores, dos
gestos, das matérias de que se faz a pintura.», e, mais
adiante, «estas pinturas são, antes de tudo, retratos de
paisagens» a revelarem «quer uma terra em fogo, feita de
clarões que explodem num delírio de cores e de formas
sugeridas, como a de certas descrições de Alves Redol,
quer uma outra, quase adormecida, sossegada e lenta, embalada pelo vento
do final da tarde, que faz ondular brevemente as espigas doiradas».
E Bernardo Pinto de Almeida remata «uma a uma, cada uma dessas
expressões vão desfilando em silêncio, diante de
nós, que aprendemos lentamente a reconhecê-las, humanizadas
por esse traço inconfundível do artista (...)».
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João
Jaleca
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