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Viver
todos os dias
Valérie e João Gonçalo Fonseca (bisneto
do fundador deste jornal!) apresentaram no passado dia 18 de Abril,
no Teatro Bernardim Ribeiro, o diário ilustrado de uma viagem
que, durante 4 anos e 38 mil quilómetros, fizeram de bicicleta
pelo continente asiático.
Foram 800 fotografias e outras tantas histórias, e talvez mais
as que ficaram por contar. Por isso, para os conhecer melhor e perceber
os contornos da sua aventura, Brados do Alentejo falou com eles. Para
descobrir uma opção tão simples como: viver todos
os dias.
Valérie
e João Gonçalo Fonseca são fenómenos itinerantes
à escala mundial. Dito assim parece tratarem-se de umas quaisquer
sumidades intangíveis, mas é exactamente o contrário:
a sua vida é a superfície terrestre, literalmente, a pele
do planeta.
Percorreram-na durante 4 anos, num total de 38 mil quilómetros.
Para já. A bicicleta foi escolhida como meio de transporte, porque
não eram ciclistas. Porque tudo de um momento para o outro se
transformou radicalmente.
Saber o que leva alguém a cortar à faca os hábitos
de uma vida sedentária para enveredar numa aventura nómada
de calibre tão definitivo é sempre a primeira questão
que apetece descobrir, mesmo que não se trate da mais relevante.
De que se trata afinal e como considerar o evento? Chamamos-lhe fuga
da realidade ou regresso a um universo de liberdades essenciais?
Depois de conhecermos o João e a Valérie torna-se clara
uma inclinação definitiva pela segunda análise.
Porque tudo o que envolve a sua jornada transcende a mera aventura e
se aprofunda numa consciente, consistente e declarada opção
de vida. E assim sendo, aos nossos olhos, de súbito nada é
mero, nem gratuito, nem displicente. Afinal, esta história já
não é a de uma viagem, de uma aventura, mas de uma profissão
que, sem designação fixa (e como o próprio João
Gonçalo espontaneamente a viria a definir), não tem outro
propósito que o de viver todos os dias.
Lembrar-se-ão os leitores mais atentos deste jornal das histórias
de Homero Castellanos, o caminhante cubano, e François Aubineau
e Florent Mercier, os jovens andarilhos franceses, e não estranharão
assim a legitimidade com que regressamos ao tema. Mas, neste caso, essa
legitimidade é reforçada quase umbilicalmente. É
que João Gonçalo é natural de Estremoz e «tão
só» o neto de José Lourenço Marques Crespo,
o homem que fundou o Brados do Alentejo em 1931. Ou seja, sob várias
perspectivas, esta verdadeira fábula dos tempos modernos tem
muito de regresso às origens.
Os
"gémeos" de Istambul
Mas como começou, afinal, este mergulho pedalado pelo mundo?
Se recuarmos ao ano de 1988 e espetarmos um alfinetinho simbólico
na cidade turca de Istambul, poderemos assistir, espectadores imaginários,
ao momento decisivo. Jovem português conhece jovem suíça,
os dois em viagem, os dois com o sonho de viajar. No jogo das descobertas,
à procura das sete diferenças, acabaram por reconhecer
semelhanças de espelho. "Somos iguais" diz-nos Valérie.
"Gostamos das mesmas coisas, queremos conhecer as mesmas coisas.
Somos os dois Gémeos...". João Gonçalo confirma
essa identificação e releva a sorte de que assim seja.
Já isso dos signos, é para quem acredita, mas sempre adianta
algumas curiosidades que os ligam e que superam qualquer mistificação.
Por exemplo, "o facto de os pais dela e os meus pais terem casado
no mesmo dia e no mesmo ano. Que, por coincidência, também
é o dia dos anos da Valérie".
Durante os dois anos seguintes viveram uma aventura através do
Médio Oriente e África e em 1995, depois de João
Gonçalo acabar a sua licenciatura em matemáticas aplicadas
e já casados, decidiram dar expressão a uma hipótese
que surgira dois anos antes como mera brincadeira: ir de bicicleta até
à China.

Não
fosse tão evidente o abraço dos gostos e das vontades
(deixemos fora os astros e a sua relatividade) bem mais difícil
seria repartir assim a vida, concordam. Porque se é um facto
que os casamentos servem para unir as pessoas, o deles une-os (uniu-os
em viagem e continua a uni-los no apeadeiro em que se encontram) numas
impressionantes 24 horas por dia. Com que ponto de equilíbrio?
O amor, a amizade, a intimidade cúmplice? Eles olham-se e riem,
como quem diz "se tu soubesses...". "É isso tudo,
se calhar. Nós estabelecemos algumas regras, que nos ajudam a
funcionar, mas... Eu não sei muito bem o que é que nos
faz funcionar, acho que é mesmo o gostar muito de andar assim
juntos. Para já, nós conhecemo-nos em viagem, viajámos
logo 24 horas por dia e desde aí estivemos sempre juntos. Mas
também, uma pessoa precisa mais um do outro em viagem. Se bem
que de bicicleta, muitas vezes, não andemos assim tão
juntos, anda um atrás do outro e não dizemos nada durante
uma hora. Também nos chateámos, claro. Mas eram sobretudo
situações de cansaço".
Nestes dois anos em que têm permanecido apeados da vida que escolheram,
a unidade mantém-se, pois continuam a trabalhar juntos. A espaços,
para garantir saudades e com um âmbito assumidamente terapêutico,
concretizam afastamentos pontuais. "É a nossa forma de combater
isso: de vez em quando separamo-nos um mês ou dois. Ela vai até
à Suíça, faz-nos bem..."
O
espaço do tempo
Mas falemos um pouco da viagem, que é afinal o ponto de partida
desta matéria. O plano inicial, pode dizer-se, era ainda uma
aventura e projectava uma volta, já não apenas até
à China, mas ao Mundo, em 4 anos. Só que os 4 anos chegaram
apenas para... continente e meio! "Nós chegámos à
conclusão que somos assim por natureza, vamos sempre muito lentamente,
e então os nossos planos prolongam-se. Achávamos que valia
a pena ficar mais um bocado e ficávamos. Por exemplo, na Índia,
prevíamos ficar seis meses e ficámos um ano". A partir
do momento em que esta particularidade do carácter se revelou,
toda a forma de encarar a viagem se transfigurou. Era agora uma opção
de vida, uma actividade profissional. "E como decidimos que queríamos
segui-la ainda por muito tempo... Pensámos que ainda tínhamos
a vida toda pela frente. Aliás, encontrámos pessoas muito
mais velhas que nós a fazer o mesmo". E também, conta
Valérie, em determinado momento perceberam que a decisão
de cumprir itinerários não concorria para o que procuravam,
antes desvirtuava a sua opção. "Houve alturas em
que estávamos com pressa por causa dos vistos, e pedalávamos
a fundo. Ao fim do dia víamos que não tínhamos
visto nada, não podíamos contar nada, porque não
tínhamos aproveitado nada. E percebemos que, com pressa, não
valia a pena. Mesmo assim, às vezes acho andámos depressa
demais. Às vezes apetecia ficar mais tempo nos lugares".
Durante o espectáculo que apresentaram no Bernardim Ribeiro,
os nossos itinerantes por diversas vezes falaram do factor "tempo".
Voltamos a pôr a questão e, ao ouvi-los, ocorre-nos de
imediato a campanha publicitária de uma conhecida loja de relógios
portuguesa, que se promove com o slogan "o espaço do tempo".
Como é, então, a noção do tempo quando se
viaja? "É completamente diferente", afirma João
Gonçalo. "Às vezes quero explicar às pessoas
e é um bocado complicado, mas é assim: ao fim de um ano
de viagem pensamos que passou muito mais tempo, passaram três
ou quatro anos. Porque vivemos tanta coisa e tão intensamente
no dia a dia... Mas por outro lado, se ao fim desse ano voltamos a Portugal,
e depois falamos com as pessoas sobre o ano que passou, para elas foi
há muito mais tempo e para nós está muito mais
perto. Como vivemos todos os dias está tudo pertinho, liga-se
tudo muito mais facilmente. Uma pessoa no quotidiano não se lembra,
há um ano será que fui ao cinema ao sábado ou foi
à quinta, o que é que eu fiz? Tem mais dificuldade. Para
nós está tudo ligado, porque quase todos os dias acontecem
coisas diferentes".
Mas, afinal, como se materializou, de facto, a entrada dos viajantes
neste tempo de noções variáveis? O momento, são
eles que o dizem, não foi propriamente escolhido, "nasceu
simplesmente quando um dia dissemos um ao outro: vamos embora!".
Depois de um ano a trabalhar na Suíça, poupando muito,
esticando mais e gastando pouco mais que nada, conquistaram um pecúlio
considerado razoável para encetar a marcha. Estava-se em 1996.
A casa fixa foi substituída por uma casa ambulante que consistia
em 60 quilos de material. Desapareciam as paredes do mundo, transformava-se
este num imenso lar com todos os compartimentos da terra. Da Suíça
pedalaram rumo à Polónia. Atravessaram depois a Rússia,
o Casaquistão e, quatro meses depois, entraram na China. Seguiu-se
uma passagem pelo deserto de Gobi, a descida pelo rio Yang Tze e, com
8500 quilómetros pedalados, a chegada a Macau. Seguiu-se o regresso
à China rumo ao Tibete, depois o Nepal e a Índia. No Bangladesh
apanharam boleia num cargueiro que os levou a Singapura. Depois de uma
semana de mar alto, seguiram em direcção à Malásia,
atravessaram a Tailândia e entraram no Laos, onde puseram as bicicletas
de parte para encetar um outro tipo de experiência: a descida
do rio Nam Ou, com os seus rápidos e remoinhos alucinantes. Continuaram
então para o Vietname, subiram as montanhas do Noroeste e desceram
até ao Cambodja. O regresso à Tailândia marcou o
fim da jornada. Tinham andado 38 mil quilómetros, dormido em
tendas ou na casa de quem lhes oferecia guarida, cozinhado ou comendo
o que lhes davam, enfrentado doenças como malária, desertos,
montanhas, selvas, temperaturas abaixo de zero e acima dos 40 graus,
altitudes médias de 4 mil metros, e muitos, muitos furos.
Um pequeno radio de ondas curtas, adquirido na China, e depois o acesso
à internet, em ciber-cafés, foram os seus elos, mais que
suficientes, de ligação ao mundo. "É verdade
que nos desligamos um bocado do pormenor, quem é o ministro das
finanças, esse tipo de coisas, mas acho que isso também
é bom, porque também é com esse sentido que a pessoa
vai, para tentar desligar".
Entre os perigos que enfrentaram, desde o contacto próximo com
animais selvagens ao desaparecimento das bicicletas, passando pelo episódio
em que se perderam um do outro e outras histórias rocambolescas
que podem ser conhecidas em pormenor através da sua página
da internet, não constou o dos assaltos. Apenas uma tentativa
ligeira a registar, muito pouco para tantos anos de andança.
"Nunca tivemos problemas. Acho que não atraímos esse
tipo de coisas. Ou se calhar apenas tivemos sorte. Às vezes tínhamos
medo, por exemplo, não sabíamos quais eram os perigos
na Rússia, escondíamo-nos nas florestas e tal, mas o certo
é que foram 4 anos quase sem problemas".
O balanço? Duro, sem dúvida, "mas super-positivo"
como o define Valérie. Não se trata de lembrar apenas
as coisas boas, mas de conscientemente as preferir. E se é da
praxe perguntar de que gostaram mais, é da praxe, também,
dizem-nos, a sua resposta: "Quando nos perguntavam isso nós
começávamos a dizer Vietname, Sri Lanka, Índia,
e chegámos à conclusão de que gostámos em
todo o lado, porque todos os sítios têm qualquer coisa
de interesse. Sobretudo as pessoas. Muitas vezes, para nós, são
as pessoas que fazem os sítios. Às vezes, numa vilazinha,
não há assim nada interessante, entre aspas, para ver,
nem monumentos, nem paisagens, estamos lá três dias e vamos
embora. Mas, se conhecemos alguém dessa vila, a coisa pode mudar
radicalmente, porque a pessoa leva-nos a conhecer a própria vida
da aldeia, os amigos, a casa dele, e o que à partida parece não
ter interesse torna-se interessantíssimo. Mas claro, há
aqueles sítios com coisas magníficas para ver. O Tibete
tem paisagens que só existem mesmo lá, vales enormes mas
muito vazios, o Vietname, o Sri Lanka também... A Índia
é um fascínio porque é um filme, todos os dias
acontece qualquer coisa. É só sentar e passa um elefante,
ou são os macacos, ou a vaca que rouba as bananas ao vendedor,
pessoas vestidas de todas as maneiras e feitios. Nesse sentido é
fascinante. A China também tem coisas para ver que nunca mais
acabam, paisagens deslumbrantes, montes de minorias, tribos, pessoas
vestidas de maneiras diferentes".
Quando
a cabeça mantém o juízo...
Mais não fosse, a odisseia de João e Valérie serviria
como exemplo taxativo para desmistificar a ideia de que, para entrar
numa digressão deste género, é preciso ser um super-atleta.
Pois bem: não é! "Nada. É duro, porque às
vezes é preciso puxar mesmo. E as pessoas têm muito a ideia
de que andamos a fazer turismo, mas não é nada disso.
Um dia telefonei a um amigo e disse-lhe que íamos tirar umas
férias, porque íamos mesmo tirar umas férias, mas
eu já sabia que isso o ia fazer rir, como de facto riu. As pessoas
pensam: viajar é fazer férias, mas não. Mas mesmo
que a pessoa não tenha uma certa condição física
isso vai-se adquirido. Uma vez, na Índia, estávamos a
mil quilómetros da fronteira e tínhamos 12 ou 13 dias
para acabar o visto.

Podíamos
apanhar uma camioneta, mas decidimos que queríamos ir de bicicleta
e então fizemos 800 quilómetros em 8 dias. Foi a nossa
maior tirada, e no mês mais quente da Índia, em Maio, antes
das Monções. Lá está, nesses dias não
deu para ver nada, mas deu-nos a capacidade de, a partir daí,
saber que se quiséssemos atingir determinadas metas, íamos
conseguir. Isso foi muito bom".
Tirando uma infecção nas pernas que atacou João
Gonçalo e algumas doenças, também o registo clínico
da viagem foi bastante positivo e, curiosamente, mais favorável
a Valérie: "Ela também puxa bem, mas eu ia mais vezes
a puxar, até porque, por norma natural, o homem tem um bocado
mais de força. Mas a nível de resistência a doenças
eu tive mais problemas que a Valérie".
Mais importante que a condição física, refere João
Gonçalo, é a força psicológica: "É
importantíssima". Conta-nos, a propósito, a experiência
de um psicólogo que hipnotizou alguém e comparou a sua
capacidade física no estado normal e depois da sugestão
de que era muito fraco e muito forte. No primeiro caso levantava muito
menos peso e no segundo quase mais 50 por cento que no estado normal.
Tratando-se de uma opção de vida, combateram sempre a
opção de desistir. E também nesse processo teve
influência a capacidade psicológica: "Numa aventura
desta uma pessoa ganha forças que não tinha, porque não
há alternativas. Na Índia, ao fim de um ano e meio, quando
apanhei a infecção nas pernas, tive sempre confiança
de que aquilo passava. Mas aquilo arrastava-se e pensava, mas eu tenho
que voltar por causa disto? E para mim era exactamente o contrário,
era quase que uma derrota, porque se eu não conseguia aquilo
que realmente queria o que é que eu vinha para aqui fazer, e
conseguir o quê? Portanto o sentimento era mesmo o contrário,
era tudo menos voltar".
Libertar
memórias e zarpar
"Viver todos os dias", a frase é do próprio
protagonista. Há no diálogo fácil dos nossos convidados
a leveza óbvia de um conjunto de experiências adquiridas.
A todo o momento o essencial que procuramos, por mera questão
de síntese, foge para o episódico. É a vontade
de contar histórias, de partilhar o que se viveu. De libertar,
talvez, um conjunto de memórias demasiado intensas para reter.
Tanta informação, nunca excessiva, mas farta, também
esteve ligada à decisão de parar. De início, dizem,
deseja-se o corte com o mundo, a libertação das velocidades
industriais da cidade, do ar engrossado pelos fumos da civilização.
No percurso encontra-se o tal espaço do tempo, espaço
para uma procura interior, para um conhecimento mais profundo do Eu,
mas sobretudo, no seu caso, essa vontade simples de conhecer outros
povos. "Nós encontrámos pessoas que iam à
procura de qualquer coisa, e há muita gente que viaja com esse
intuito espiritual, mas não era muito o nosso caso. Queríamos
conhecer povos, conhecer etnias, saber como é que eles vivem,
porque é que eles vivem assim, em que é que eles acreditam..."
No entanto, ao fim de 4 anos, a paixão, sem se desvanecer, precisa
de se recompor. Como dizia um poeta, "é preciso sofrer para
libertar a dor". Aqui seria mais "é preciso parar um
pouco para libertar tanta vida". "Era tempo de parar",
diz Valérie. "Já não tínhamos muito
dinheiro, esticámos muito o que tínhamos, e depois já
estávamos cansados. Mesmo no contacto com as pessoas, já
não apetecia ter tanta gente à nossa volta, já
não tínhamos paciência para contar toda a nossa
história, que era o que toda a gente perguntava". "E
dali era o salto para a Austrália", acrescenta João
Gonçalo, "e se fôssemos não íamos voltar
tão cedo, porque dali iríamos para a América do
Sul. Então pensámos, vamos voltar e tentar produzir um
bocado o nosso trabalho. Não temos produzido muito, ou pelo menos
achamos que é pouco em relação ao material que
temos, mas estamos a trabalhar. Estamos a acabar um livro, que está
em dois terços, sobre esta viagem, que depois vai ser outra batalha
publicá-lo... Fizemos uma página na Internet (www.nomad2.net)
que nos deu muito trabalho e que é actualizada às terças-feiras
com novas histórias (é uma página dedicada a todos
aqueles que nos acolheram, com histórias de diferentes pessoas
e famílias), fizemos este espectáculo em Estremoz, que
já tínhamos feito em Lisboa, escrevemos três artigos
para uma revista... E agora é arranjar patrocínios para
partir outra vez, que é a nossa vontade. Já estamos parados
há dois anos, eram para ser oito meses, um ano no máximo,
mas aconteceu um bocado o mesmo que na viagem, fomos ficando. Mas sentimos
igualmente que tiramos algum proveito de termos parado. Mesmo que, quando
partirmos outra vez, já vamos achar que estivemos cá tempo
demais, dois anos a fazer o quê, já podíamos estar
aqui há tanto tempo, isso vamos sentir".
Pedro M. Pereira
BA 544 - 3 de Maio de 2002
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