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O tempo de ir ao café foi suficiente para José Manuel
Ourelo e Ana Maria, esposa, perderem todos os bens, amealhados durante
uma vida inteira de trabalho, num incêndio que deflagrou na sua
residência, na freguesia de Arcos (Estremoz), no passado sábado,
dia 22, pelas 15h00, deixando o casal e mais duas filhas, uma com 9
e outra com 12 anos, desalojados.
Efectivamente, Ana Maria encontrava-se na esplanada de um café
próximo da sua habitação quando foi alertada por
uma das vizinhas para o facto de cheirar a queimado. Ao investigarem
de onde provinha tal odor, esta dona de casa, verificou que o seu lar
estava a ser consumido por um fogo, o que a fez correr rapidamente para
o seu interior para tentar retirar a garrafa do gás, mas sem
sucesso.
Os bombeiros chegaram ao local apenas um quarto de hora depois de ter
sido dado o alerta, mas não conseguiram evitar o pior, ficando
duas divisões da casa praticamente destruídas, um quarto
e uma sala, e os restantes compartimentos com danos avultados. “Perdemos
tudo, só se salvou alguma roupa que estava no quarto onde as
chamas não entraram, mas a água dos bombeiros estragou
o que o fogo não atingiu”, referiu Ana Maria.
O adjunto de comando dos Bombeiros Voluntários de Estremoz, Januário
Coradinho, adiantou ao Brados que quando chegaram ao local “apenas
a mulher se encontrava em casa, tendo sido transportada para o Centro
de Saúde de Estremoz, para receber assistência devido a
intoxicação”.
Esta família de poucas posses, José Manuel Ourelo, trabalhador
rural, e Ana Maria, actualmente desempregada, foi de imediato realojada
no edifício da Junta de Freguesia de Arcos e a Câmara Municipal
de Estremoz assegurou, para os próximos dias, o pagamento das
refeições num restaurante local.
Segundo António Maria Broa, presidente da Junta de Freguesia
de Arcos, “após uma reunião com a técnica
do serviço social da Câmara Municipal de Estremoz, ficou
acordado procurar uma solução mais definitiva até
que a casa seja recuperada”.
Entretanto, “já um proprietário se prontificou a
disponibilizar uma moradia para os sinistrados na freguesia de Arcos,
faltando apenas resolver alguns problemas de luz e água”,
acrescentou ainda o presidente da junta.
A família lesada agradeceu à junta, à câmara
e a toda população da freguesia de Arcos todo o apoio
prestado neste momento tão difícil das suas vidas. Na
realidade toda uma onda de solidariedade envolveu este casal, sobretudo
com a entrega de roupas e algum mobiliário. “Só
temos preciso agora é de alguns electrodomésticos”,
disse Ana Maria.
Cheios de coragem para enfrentar o futuro, José Manuel Ourelo
e Ana Maria dizem “que agora é erguer a cabeça,
ir para a frente e recomeçar do zero”.
Prestaram socorro ao incêndio 11 homens, apoiados por quatro veículos,
incluindo uma ambulância, das corporações de bombeiros
de Estremoz e Borba.
A origem do incêndio é ainda desconhecida.
Jorge Pereira
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