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CENTRO
DE SAÚDE DE ESTREMOZ
FALTA DE MEDICAÇÃO COMPROMETE ATENDIMENTOS
A continuada ruptura
de stocks e a falta de medicamentos e de equipamentos considerados essenciais
e de uso diário no Serviço de Urgência Básico
(SUB) do Centro de Saúde de Estremoz está a provocar grande
agitação e constrangimento junto dos responsáveis
de saúde e utentes da unidade hospitalar. São fármacos,
como os corticóides (alergias), metoclopramida (vómitos),
analgésicos, anti-histamínicos ou garrafas de soro de
100 mililitros, e equipamentos, como as simples máscaras de oxigénio
e aerossol, que estão na base da contenda e na origem de uma
situação que se arrasta desde há cerca de um ano
e que se tem revelado "crítica" desde "há
três ou quatro meses!", como revelou ao Brados do Alentejo
Mohammad Alwattar, coordenador do Serviço de Urgência Básico.
São, inclusivamente, médicos e enfermeiros, impotentes
para resolver casos de solução, aparentemente, simples,
os primeiros a incentivarem os doentes a reclamarem no respectivo livro
de reclamações. Por sua vez, os utentes solucionam ou
conseguem minimizar o problema adquirindo os fármacos nas farmácias
locais, regressando novamente ao Centro de Saúde para os mesmos
serem ministrados, ou, apenas, passadas algumas horas e só depois
de serem encaminhados para o Hospital do Espírito Santo de Évora
onde têm que enfrentar as frequentes longas filas de espera.
O transporte destes casos, alegadamente, menos urgentes tem-se feito
notar também na corporação de Bombeiros Voluntários
de Estremoz. Segundo fonte da corporação estremocense,
as duas ambulâncias que, normalmente, se encontram preparadas
para sair a qualquer momento já não são suficientes
para acudir ao acréscimo de solicitações do Centro
de Saúde de Estremoz. "Por vezes, já saíram
quatro em simultâneo!", garantiu a mesma fonte, aludindo
para uma situação que não é "normal",
como caracterizou.
Se a falta de medicamentos representa avultados prejuízos para
os responsáveis de saúde e, principalmente, para os utentes,
os cofres da Administração Regional de Saúde (ARS)
do Alentejo, tutelada pelo "poupado" Ministério da
Saúde, também se deverão sentir. Por cada transporte
efectuado pelos Bombeiros Voluntários ou Cruz Vermelha para a
cidade de Évora a ARS terá de pagar 46 cêntimos
por quilómetro, ou seja, aproximadamente 46 euros.
No caso concreto de Maria Pereira, nome fictício, uma idosa de
78 anos, já com alguns problemas de mobilidade, recorreu ao Centro
de Saúde de Estremoz, no passado dia 12, em busca de uma solução
para o problema de saúde relacionado com uma indisposição
e vómitos e "ganhou" uma viagem para o hospital distrital.
Foram os familiares desta que alertaram o nosso jornal para a situação.
Na unidade hospitalar eborense, a septuagenária recebeu o relatório
de urgência prescrito pela médica de serviço que
frisa que "a doente de 78 anos, referenciada do centro de Saúde
de Estremoz por vómitos de início após o lanche,
primeiro alimentares e depois aquosos", foi transferida "por
não haver soro e metoclopramida no centro de saúde!".
A filha da idosa explicou ao Brados do Alentejo que a mãe deu
entrada no serviço de urgências do Hospital do Espírito
Santo de Évora às 19h13, mas adiantou que a pulseira verde,
de doente não urgente, que recebeu de imediato na triagem só
permitiu ser atendida pelo médico às 22h45, passadas cerca
de três horas e meia de ter chegado à capital de distrito.
Durante este longo período de tempo, a idosa, de acordo com a
filha, permaneceu numa posição desconfortável e
"sentada numa cadeira de rodas sem apoio para os pés!".
Quando finalmente foi atendida pela médica, a responsável
de saúde medicou a idosa que continuou na dita cadeira rodas
"até perto das 03h30 do dia seguinte", lamentou a filha.
Contas feitas, a utente permaneceu cerca de sete horas no Hospital do
Espírito Santo de Évora para resolver um problema que
deveria ter sido solucionado em escassos minutos.
"A família sente-se revoltada com esta situação
que contribui para que o doente fique pior!", declarou a filha,
questionando "quem é que, após tantas horas sentada,
se sente melhor quando já ia mal disposta e com vómitos?".
"Desde o centro de saúde, passando pelo enfermeiro da triagem
em Évora e acabando na médica que a atendeu e noutra que
estava ao lado, todos disseram: reclamem!", concluiu, salientando
que são os próprios profissionais de saúde a sugerir
aos utentes para protestar.
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Jorge Manuel Pereira
"Poupar
à custa da vida humana"
Para além
da família, revoltado com toda esta situação
está também o coordenador do Serviço de Urgência
Básico (SUB) do Centro de Saúde de Estremoz, Mohammad
Alwattar.
O responsável explicou ao Brados do Alentejo que a falta
de medicamentos e equipamentos se começou a fazer sentir
há mais de um ano, mas esclareceu que se agravou há
cerca três a quatro meses, considerando que, actualmente,
a situação é "crítica" e
que coloca em causa o atendimento aos doentes.
Nestes casos em que os profissionais de saúde não
conseguem fazer face às solicitações dos
utentes, estes são "encaminhados numa ambulância
para o hospital de Évora e o sistema de saúde, por
não ter um soro ou uma máscara que poderá
custar apenas um euro, acaba por gastar o dinheiro no transporte!",
confirmou Mohammad Alwattar.
O clínico referiu que a Administração Regional
de Saúde (ARS) do Alentejo já foi informada e remete
as responsabilidades para a falta de concursos e para o responsável
do aprovisionamento. "Se não fizer bem o meu trabalho
enquanto médico, alguém se encarregará de
pedir explicações", afiançou o coordenador,
"indicando que o responsável pelo aprovisionamento
da ARS ganha e usufrui de um vencimento para fazer um trabalho"
que, dado as evidências, não estará a ser
executado da melhor forma.
"Há muito tempo que o nosso serviço de urgência
tem falta de material e não só banais", revelou
o médico, garantindo que esta lacuna se estende a fármacos
"graves e necessários para urgências vitais!".
Nestes casos, o material foi "desenrascado depressa"
e à "última hora", como assegurou o clínico.
Mohammad Alwattar referiu que os médicos se sacrificam
pelos doentes e tentam evitar que, após terem estado à
espera em Estremoz, tenham ainda que se deslocar para a unidade
hospitalar distrital onde, habitualmente, têm que aguardar
mais três a quatro horas na sala de urgências até
serem atendidos.
Desta forma, os clínicos apelam ao bom senso das famílias
dos utentes e prescrevem as receitas médicas para que estes
possam adquirir os fármacos nas farmácias locais,
regressando de seguida ao centro de saúde para que os mesmos
possam ser ministrados.
"Não o fazemos para pouparmos dinheiro ao sistema
público, mas pelo doente que teria de enfrentar uma meia
hora de caminho até Évora e aguardar mais três
ou quatro horas nas salas de espera para resolver um problema
que pode ser solucionado em Estremoz em apenas meia hora",
reiterou o coordenador.
Segundo Mohammad Alwattar os médicos e pessoal da SUB,
em geral, estão descontentes com esta situação
porque sabem que, a qualquer momento, pode registar-se um caso
grave para o qual poderão não ter resposta.
"O pessoal trabalha sem material e medicamentos necessários
para prestar os primeiros cuidados de uma urgência vital",
lamentou, acrescentando que, por exemplo, não dispõem
de papel para realizar um electrocardiograma há cerca de
15 dias.
"Gostava que os responsáveis pelo aprovisionamento
pensassem no dinheiro que querem poupar à custa da vida
humana", concluiu.
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Jorge Manuel Pereira
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Alguns
médicos primam por injectáveis para justificarem
atendimentos
Contactado
pelo Brados do Alentejo, José Manuel Evaristo, director
do Agrupamento de Centros de Saúde do Alentejo Central
I, confirmou que a falta de medicamentos e equipamentos se tem
vindo a verificar desde Março do ano passado, mas salientou
que se tratam apenas de casos pontuais que se registam, normalmente,
no início ou final de alguns meses.
Segundo José Manuel Evaristo, "tudo se prende com
os concursos que são efectuados pela Administração
Regional de Saúde (ARS) do Alentejo".
Em termos do Serviço de Urgência Básico, o
director deu como exemplo o soro que "há sempre",
embora se verifique, por vezes, como referiu, algum desperdício
quando se utiliza uma embalagem de 500 centímetros cúbicos
quando se poderia usar uma de 100.
Referindo-se concretamente ao facto de terem de ser os utentes
a adquirir os medicamentos nas farmácias, o director disse
que, na maioria dos casos, são injectáveis que "as
pessoas teriam que levar para casa". Assim, "aproveitam
e levam os injectáveis aqui [SUB] e continuam a fazer os
mesmos injectáveis em casa!", declarou José
Manuel Evaristo, salientando que esta situação "serve
para prevenir alguma reacção adversa ao medicamento!".
"Está bem que, anteriormente, tínhamos alguns
desses produtos, mas, dada essa falha e como as pessoas teriam
que continuar o tratamento, não tem havido grande problema!",
desvalorizou.
O director salientou que estas rupturas de medicamentos causam
um certo constrangimento junto dos profissionais de saúde,
"embora não tenha havido perigo de vida" derivado
da ausência dos fármacos.
José Manuel Evaristo apontou o dedo a "alguns médicos
contratados que primam pelos injectáveis no serviço
para, ao fim ao cabo, justificarem os atendimentos", reiterando
que “a maioria dos medicamentos em falta não são
essenciais".
"Que é uma situação lamentável
é!", asseverou o director, afirmando que, "felizmente,
as consequências não tem a ver com vidas, mas com
o aumento de custos relativamente ao tratamento das pessoas!".
Para o clínico, esta é uma situação
que irá ser regularizada brevemente, "até porque
os procedimentos em termos de ARS alteraram-se e a reposição
dos stocks na SUB irá ser mais ágil", concluiu.
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Jorge Manuel Pereira
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"Nem
sequer tinha conhecimento”
No primeiro
contacto que o Brados do Alentejo efectuou com José Robalo,
presidente da Administração Regional de Saúde
(ARS) do Alentejo, este afirmou não ter conhecimento de
uma situação que disse não fazer "muito
sentido!".
Posteriormente, e apenas passados alguns minutos, José
Robalo referiu "que parece que tem havido, eventualmente,
algumas rupturas pontuais" relacionadas com concursos de
aquisição e chegada de materiais, mas salientou
também "que não é há um ano que
isso acontece!".
Informado acerca da situação pelo nosso jornal,
o presidente reiterou que "nem sequer tinha conhecimento
que isso se estivesse a passar e não faz sentido rigorosamente
nenhum!".
"Habitualmente, as requisições são feitas
numa central de compras, mas garanto que não tinha conhecimento
e reitero que vou, de imediato, tratar disso!", assegurou
José Robalo, indiciando que a situação irá
ficar resolvida em breve.
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Jorge Manuel Pereira
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