Cultura

GRUPO TEATRO DE AMADORES DE VILA VIÇOSA
Um espaço de cultura vivo

A saga começou há dezassete anos, Rita Peixinhos “fazia um programa na Rádio Campanário”, de Vila Viçosa, dedicado à poesia e a outros temas de natureza cultural. “Depois comecei a pensar, há aqui coisas tão bonitas para se transmitir ao público!”. Daí à formação de um grupo de teatro foi só “juntar as ideias, convidar pessoas, fazer projectos, fazer uma 'pècinha', ensaiar...”.
Assim nasceu o Grupo de Teatro de Amadores de Vila Viçosa (CTAVV) em 1 de Outubro de 1991, uma associação cultural sem fins lucrativos, actualmente com quarenta associados e sede na Praça da República, nas instalações da antiga Esquadra da PSP de Vila Viçosa, cedidas pela Câmara Municipal local “enquanto for grupo de teatro”.
Com 60 anos de idade, há cerca de seis anos na situação de reforma por doença, (trabalhava no cine-teatro Florbela Espanca, da Câmara Municipal de Vila Viçosa) Rita Peixinhos dedica quase todo o seu tempo à associação. “Sou a fundadora do grupo de Teatro e presidente da Direcção, relações públicas, angario fundos, faço os contactos a nível de contratos, trato da publicidade, invento os cartazes, tiro fotografias, escrevo notícias para os jornais, procuro novos elementos para o grupo, faço as coreografias das danças, e sou eu também que escrevo muitos dos textos do teatro e que os ensaio... Já me têm dito: quando tu partires uma perna, há logo metade que não vem, quando tu acabares acabou-se”.
“Acho que esta tendência para o teatro e as artes tem vindo a nascer espontaneamente”, disse à nossa reportagem. “Escrever sempre escrevi”. Tinha “17 ou 18 anos”, quando começaram a ser publicados no antigo jornal «O Calipolense», pequenos poemas seus. Hoje tem um livro de poesia publicado e vai lançar outro em 20 de Dezembro, de contos, “mas não são contos”.
“Ao longo dos anos fui aprendendo certas formas de estar, a cultivar-me, a gostar, a ver peças de teatro, a ver como se faziam, a estudar livros de teatro, a tirar cursos de teatro, já tenho vários, e tudo isso foi-se fazendo a pouco e pouco, fui aprendendo e fui fazendo” explica.
O grupo de teatro que Rita Peixinhos criou há 17 anos e por onde já terão passado ao longo deste período “mais de seiscentas pessoas”, conta actualmente com um elenco de dezassete artistas amadores e tem apresentado os seus espectáculos em dezenas de localidades um pouco por todo o País. “Temos feito muitas actuações fora de Vila Viçosa, já fomos ao Algarve, a Coimbra e a outras localidades, porque só o Alentejo não chega para divulgação do nosso trabalho e não nos dá dinheiro”, esclarece.
As actuações são solicitadas por diversas entidades, câmaras municipais, juntas de freguesia, colectividades de cultura e recreio, instituições de solidariedade social. Umas são pagas “mas muitas são gratuitas, como por exemplo lares da Terceira Idade, lares de crianças, escolas, entidades sem fins lucrativos. Consideramos que não nos serviria de proveito receber dinheiro dessas instituições”.
A comédia é o género de teatro que praticam, “só fizemos uma vez um drama, foi na aldeia da Luz, mas as pessoas disseram que não gostam – chorar chora a gente todos os dias – e a partir daí dedicamos só à comédia. É uma opção nossa devido ao público que temos, a maior parte pessoas da terceira idade”. Amor com amor se paga é a próxima peça a subir à cena. Mas há também o teatro para crianças, “vamos ter agora “A loja do mestre André”.
No próximo ano serão peças: “O tiro pela culatra” de Sérgio Silva (brasileiro), e uma adaptação ao teatro por Rita Peixinhos do provérbio popular “Quem casa quer casa” que ainda está a ser trabalhada.
Iná
cio Grazina

Esta reportagem pode ser lida na íntegra na edição impressa do Brados do Alentejo.

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