"PÁTUÁ"
ESTREIA
"A MAGIA DO BENZALICÃO"
Foi no salão
da Junta de Freguesia de Arcos que, na passada sexta-feira, dia 20,
o grupo de teatro amador arcoense "Pátuá" colocou
em cena o seu último trabalho intitulado de "A Magia do
Benzalicão", da autoria de Joaquim Carola. Durante cerca
de uma hora, os jovens artistas "desfilaram" pelo palco e
divertiram mais de uma centena de pessoas que lotaram o espaço
para assistir à estreia da peça.
"A Magia do Benzalicão" retrata uma noite de Natal
recheada de peripécias que se desenrola em torno do "benzalicão",
um combustível supostamente milagroso que carrega a mensagem
que, há mais de dois mil anos, Jesus Cristo trouxe ao mundo:
praticar o bem.
O grupo tem já agendadas novas apresentações para
a peça que acabou de estrear, sendo que a próxima deverá
ser em Vila Boim, concelho de Elvas, embora a data ainda não
se encontre totalmente definida. "Não sabemos, no entanto,
se vamos a Estremoz porque quando fomos convocados pela autarquia para
participar no mês do teatro [Teatrices] foi-nos imposto o dia
31 de Janeiro", revelou Joaquim Carola, responsável pelo
grupo de teatro e o "faz tudo", como o próprio se intitulou,
adiantando que o município lhe terá transmitido que esta
seria uma data a "pegar ou largar!".
Dado que o dia coincide com a viagem de finalistas de alguns elementos
do grupo, a passagem pela cidade estará, eventualmente, comprometida.
Joaquim Carola referiu ao Brados do Alentejo que o "Pátuá"
trabalha regularmente em oito concelhos e, "infelizmente, menos
na cidade de Estremoz que nas outras localidades!", lamentou.
"Tenho pena de ter que dizer que saudades que tenho do doutor [Júlio]
Rebelo e João Carlos Chouriço", ex-vereadores da
Câmara Municipal de Estremoz, responsáveis pelo pelouro
da Cultura.
Joaquim Carola teceu duras criticas ao trabalho desenvolvido pelos actuais
detentores da pasta da Cultura da autarquia estremocense, referindo
que, nomeadamente no que diz respeito ao teatro, "está pelas
ruas da amargura!".
A entrada para a estreia da peça "A Magia do Benzalicão"
foi gratuita mas, no final da apresentação, Joaquim Carola
evidenciou as dificuldades financeiras do "Pátuá"
e solicitou "às pessoas que gostaram realmente do espectáculo"
que ajudassem o grupo com o depósito de uma verba simbólica
na caixa de donativos que se encontrava à saída do salão
da Junta de Freguesia.
A noite culminou com a realização de um baile e discoteca.
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Jorge Manuel Pereira
ANTÓNIO
CANOA
ARTESÃO DA RURALIDADE
'Artesão
da ruralidade' é a designação da exposição
a inaugurar pelas 16 horas do dia 28 de Janeiro (sábado), na
Sala de Exposições do Centro Cultural Dr. Marques Crespo,
em Estremoz.
A iniciativa é da Associação Filatélica
Alentejana e conta com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz.
António Canoa é natural de Veiros, onde nasceu em 1926.
Quando acabou a instrução primária seguiu o seu
destino e tornou-se aprendiz de abegão, sob a orientação
de seu tio e padrinho, Miguel Lopes.
Aos 17 anos já era abegão de corpo inteiro e nessa condição
começou a trabalhar de sol a sol para as grandes casas agrícolas
do concelho de Estremoz.
Da arte das suas mãos nasceram carros, carroças e trens
para o transporte de bens e pessoas, assim como alfaias agrícolas
como arados e araveças, bem como trilhos, grades, pás,
forquilhas, escadas, malhos, cangalhas, etc., etc..
As matérias-primas eram o azinho, o freixo, o eucalipto e o choupo,
que as suas mãos afeiçoavam com o auxílio de serras,
machados, enxós, formões, martelos, arpuas e trados.
E como abegão era um artista no sentido mais completo do termo.
As suas obras eram decoradas com tintas confeccionadas com cores minerais
já utilizadas pelos artistas rupestres de Lascaux e Altamira
no Paleolítico, mas aqui diluídas em óleo e secante.
O almagre, o zarcão, o azul do ultramar e a terra de Sena, marcas
identitárias das claridades do Sul, estavam sempre presentes
no remate de obras nascidas das suas mãos mágicas de carpinteiro
das grandes herdades.
Depois de se reformar, a ruralidade que continua a transportar na alma
e os bichos carpinteiros que lhe vão na massa do sangue, levaram-no
a confeccionar numa escala reduzida, miniaturas de tudo aquilo que lhe
saiu das mãos em tamanho natural e que cumpria as missões
para que foi criado, nas fainas agro-pastoris da primeira metade do
século XX e mesmo mais além.
São essas miniaturas que António Canoa, ex-abegão
e agora artesão da ruralidade, residente em São Lourenço
de Mamporcão, expõe para deleite da nossa vista e porque
é importante refrescar a memória do Alentejo do passado,
das vivências e sentires da gente do campo.
A exposição que estará patente ao público
até ao dia 28 de Abril de 2012, pode ser visitada de 3ª
feira a sábado, entre as 9 e as 12,30 horas e entre as 14 e as
17,30 horas.
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