Avaliação
de desempenho:
novas tendências
Muito se tem falado e escrito sobre avaliação de desempenho.
Eu próprio já por várias vezes me referi a este
tema nesta coluna e, apesar disso, hoje volto a fazê-lo, se bem
que agora numa perspectiva de abordagem ligeiramente diferente das anteriores.
Começo por referir uma evidência (que quase parece despropositada):
este tema há muito que é estudado pelos especialistas
em comportamento organizacional. Acrescento agora que, tradicionalmente,
estes referem que a avaliação é, de todas, a tarefa
mais delicada para as chefias. Finalmente, refiro que são cada
vez mais os autores que, ao contrário dos anteriores, entendem
que não tem de ser necessariamente assim e, mais, que até
é desaconselhado que assim seja. Estas são as novas tendências
na avaliação de desempenho e são elas que constituem
o tema central da presente crónica.
No desenvolvimento desta óptica frise-se que uma avaliação
objectiva está ligada a indicadores de desempenho igualmente
objectivos, sendo estes últimos os que podem ser medidos e verificados
de forma independente. Em termos práticos isto significa que
o Avaliado A obtém a mesma classificação quer o
avaliador seja o fulano Alfa ou beltrano Beta. Isto é o que acontece
quando, exemplificando, (1) se mede o número de peças
(que passaram com sucesso o controlo de qualidade) produzidas por um
operário; ou (2) se analisam os resultados de um inquérito
de satisfação aos utentes de um serviço público.
No primeiro caso, estamos perante um indicador de produtividade intrinsecamente
objectivo; no segundo, estamos perante um indicador de apreciação
subjectiva, porém, adquirindo objectividade pela opinião
plural de múltiplos utentes. Portanto, em qualquer dos casos,
a avaliação decorre da análise e interpretação
dos indicadores de desempenho, podendo tais tarefas serem realizadas
interna ou externamente à organização.
Apesar do risco de discricionariedade de que podem enfermar, as avaliações
produzidas pelas chefias continuam a ser necessárias. O que não
podem é constituir a única forma de avaliação.
Sendo desenvolvidas internamente nas organizações, detêm
a virtude de percepcionarem e contextualizarem melhor as circunstâncias
particulares em que decorre a actividade desenvolvida. O importante
é criar condições para que não haja “filhos
e enteados” na avaliação, nomeadamente avaliando
os avaliadores (as chefias) não só pelos seus próprios
desempenhos como pelos dos seus subordinados. Quando tal acontece, os
favorecimentos pessoais dos menos capazes e os “ódios de
estimação” pelos irreverentes (mas válidos)
tendem a esbater-se, já que tais práticas acabam, em última
instância, por penalizar os próprios avaliadores.
BRADOS 701
- 27 NOVEMBRO 2008
vVOLTAR
AO TOPOIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
IIUCOMENTAR
Está
difícil
As primeiras celebrações de aniversário das crianças
são, fundamentalmente, festas dos pais e dos seus amigos. Porém,
mais tarde, já em idade escolar, os pequenotes já têm
os seus próprios amigos, pelo que as festinhas organizadas pelos
pais nem sempre correm de acordo com o esperado. Em “bando”
as crianças ganham uma dinâmica própria em que se
torna difícil mantê-los sentados e sossegados, porque ora
riem ora gritam, porque se agarram e se derrubam, quando não
estão quase a espetar um garfo num olho. Pois é, por vezes
as coisas quase ficam fora de controlo, deixando os adultos com os nervos
em franja e, alguns deles, a jurarem que “nunca mais!”.
Está visto: ser pai ou mãe é uma tarefa nem sempre
fácil.
Alguns anos mais tarde surgem outro tipo de dificuldades. Uns querem
piercings, outros querem tatuagens. Alguns só querem roupas XPTO,
outros (quando não os mesmos) querem mais dinheiro para os seus
gastos ou então querem chegar a casa às 6 da matina. Alguns
descobrem ao espelho defeitos anatómicos que ninguém imagina
existirem. Por vezes não comem, enquanto outros querem consumir
aditivos para ficarem mais musculados. Frequentemente não sabem
o que querem ser na vida, nem revelam interesse por nada de útil
aos olhos dos pais. Quem não sabe para onde vai também
dificilmente encontra motivação para estudar, quando há
tantas outras coisas mais gratificantes, menos penosas e mais imediatas.
Perante tais desalinhamentos de pontos de vista, é frequente
entre pais e filhos cavarem-se silêncios perturbadores ou discussões
acesas. Por vezes, ambas as coisas em alternância.
Está visto: é difícil ser adolescente e, já
o sabíamos, é cada vez mais difícil ser pai ou
mãe.
Acontece que há pessoas que por força da sua profissão
se vêem confrontados com situações similares às
festas de aniversário antes referidas. O problema é que
não realizam uma festinha de vez em quando. Vivem “em festa”
todos os dias e mais do que uma vez por dia. Mas fazem mais: não
só encaram a rebeldia das crianças em grupo como algo
normal como até são capazes de lhes conduzir o comportamento
no sentido desejado, sentando-os quando têm que estar sentados,
fazendo-os comer na hora de se alimentarem ou, abreviando, organizando-lhes
jogos e outras diversões para que elas dêem vazão
à sua interminável energia.
Está visto: é difícil ser educador mas, até
há bem pouco tempo, ainda havia quem o fizesse com alegria.
Acontece também que há pessoas que por força da
sua profissão têm de lidar diariamente não com um
ou dois mas com mais de vinte jovens em simultâneo, que se procuram
a si próprios e buscam um sentido para as suas vidas. Há
quem consiga motivá-los e fazer com que aprendam e, até
há bem pouco tempo, havia quem o fizesse com alegria.
Eram os professores.
BRADOS
700 - 13 NOVEMBRO 2008
vVOLTAR
AO TOPOIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
IIUCOMENTAR
Melhores
dias virão
Estão a ocorrer dois fenómenos que induzem a esperança
de que melhores dias virão. Ainda que de forma irritantemente
lenta, os preços dos combustíveis já começaram
a baixar. Por outro lado, aqueles que estão a pagar empréstimos
à habitação (com taxa de juro indexada à
Euribor) poderão vir a registar um desagravamento do crescimento
dos encargos ou até, mantendo-se a actual tendência, uma
eventual diminuição destes (se a revisão da taxa
ocorrer para lá de Dezembro).
Em contrapartida continuam a pairar no ar nuvens negras. São
insistentes os rumores de que a actual crise financeira poderá
preceder uma crise económica de dimensões inimagináveis
há apenas algum tempo atrás. As razões explicam-se
em poucas palavras. Se a crise financeira atingisse apenas o mercado
de capitais – banca, empresas financeiras e investidores especulativos
– alguns até diriam “Bem feita!”. O problema
está no facto de muitos inocentes terem confiado as poupanças
de uma vida de trabalho a certos fundos – agora classificados
de “tóxicos” – e, de um dia para o outro, ficarem
privados dos recursos que lhes iriam permitir continuar a consumir como
até aqui. Isto já aconteceu na Islândia, está
a acontecer nos Estados Unidos e, teme-se, poderá ainda acontecer
noutros países. Sem recursos financeiros não há
consumo, assim como deixa de haver financiamento à economia,
factos que poderão gerar falências em catadupa, desemprego
e, num círculo perigosamente vicioso, mais quebras na procura,
mais falências, etc.. Bom, oxalá tal não aconteça.
Alternando com aquilo que se pensa serem boas notícias, o Governo
anunciou uma subida do salário mínimo para 450 euros (mais
5,6%) e aumentos de 2,9% para a função pública,
daqui resultando um acréscimo no rendimento das famílias
na ordem dos 3%. Porém, quer o crescimento da massa salarial
quer as injecções de dinheiro no mercado financeiro são
manipulações artificiais (no sentido em que não
ocorreriam sem haver um aumento efectivo na riqueza criada). Esperemos,
pois, que tais medidas resultem conforme o que se deseja, sem que daí
resultem “inchaços”, ou seja, meros aumentos de volume
sem correspondência na substância (inflação).
Ao contrário, a redução da cotação
do petróleo já é um reflexo do mecanismo de mercado
a funcionar na sua plenitude. Perante a eminência da recessão
económica, o mercado de matérias-primas ressentiu-se pela
redução da pressão da procura. Este automatismo
vai ser muito importante para a retoma económica. Todavia, não
nos iludamos ao pensar que as causas estruturais do 3.º choque
petrolífero estão ultrapassadas. Passada esta conjuntura
o petróleo voltará a subir até que seja reduzida
a dependência dos combustíveis fósseis.
Enfim, vamos acreditar que tudo irá correr pelo melhor!
BRADOS
699 - 30 OUTUBRO 2008
vVOLTAR
AO TOPOIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
IIUCOMENTAR

*Escreva "comentar" + título ou referência de
edição e data do texto que deseja abordar
e deixe o seu comentário.
|
|