ANTÓNIO J.B. RAMALHO

 

ad valorem

 

Avaliação de desempenho:
novas tendências

Muito se tem falado e escrito sobre avaliação de desempenho. Eu próprio já por várias vezes me referi a este tema nesta coluna e, apesar disso, hoje volto a fazê-lo, se bem que agora numa perspectiva de abordagem ligeiramente diferente das anteriores.
Começo por referir uma evidência (que quase parece despropositada): este tema há muito que é estudado pelos especialistas em comportamento organizacional. Acrescento agora que, tradicionalmente, estes referem que a avaliação é, de todas, a tarefa mais delicada para as chefias. Finalmente, refiro que são cada vez mais os autores que, ao contrário dos anteriores, entendem que não tem de ser necessariamente assim e, mais, que até é desaconselhado que assim seja. Estas são as novas tendências na avaliação de desempenho e são elas que constituem o tema central da presente crónica.
No desenvolvimento desta óptica frise-se que uma avaliação objectiva está ligada a indicadores de desempenho igualmente objectivos, sendo estes últimos os que podem ser medidos e verificados de forma independente. Em termos práticos isto significa que o Avaliado A obtém a mesma classificação quer o avaliador seja o fulano Alfa ou beltrano Beta. Isto é o que acontece quando, exemplificando, (1) se mede o número de peças (que passaram com sucesso o controlo de qualidade) produzidas por um operário; ou (2) se analisam os resultados de um inquérito de satisfação aos utentes de um serviço público. No primeiro caso, estamos perante um indicador de produtividade intrinsecamente objectivo; no segundo, estamos perante um indicador de apreciação subjectiva, porém, adquirindo objectividade pela opinião plural de múltiplos utentes. Portanto, em qualquer dos casos, a avaliação decorre da análise e interpretação dos indicadores de desempenho, podendo tais tarefas serem realizadas interna ou externamente à organização.
Apesar do risco de discricionariedade de que podem enfermar, as avaliações produzidas pelas chefias continuam a ser necessárias. O que não podem é constituir a única forma de avaliação. Sendo desenvolvidas internamente nas organizações, detêm a virtude de percepcionarem e contextualizarem melhor as circunstâncias particulares em que decorre a actividade desenvolvida. O importante é criar condições para que não haja “filhos e enteados” na avaliação, nomeadamente avaliando os avaliadores (as chefias) não só pelos seus próprios desempenhos como pelos dos seus subordinados. Quando tal acontece, os favorecimentos pessoais dos menos capazes e os “ódios de estimação” pelos irreverentes (mas válidos) tendem a esbater-se, já que tais práticas acabam, em última instância, por penalizar os próprios avaliadores.

BRADOS 701 - 27 NOVEMBRO 2008

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Está difícil
As primeiras celebrações de aniversário das crianças são, fundamentalmente, festas dos pais e dos seus amigos. Porém, mais tarde, já em idade escolar, os pequenotes já têm os seus próprios amigos, pelo que as festinhas organizadas pelos pais nem sempre correm de acordo com o esperado. Em “bando” as crianças ganham uma dinâmica própria em que se torna difícil mantê-los sentados e sossegados, porque ora riem ora gritam, porque se agarram e se derrubam, quando não estão quase a espetar um garfo num olho. Pois é, por vezes as coisas quase ficam fora de controlo, deixando os adultos com os nervos em franja e, alguns deles, a jurarem que “nunca mais!”.
Está visto: ser pai ou mãe é uma tarefa nem sempre fácil.
Alguns anos mais tarde surgem outro tipo de dificuldades. Uns querem piercings, outros querem tatuagens. Alguns só querem roupas XPTO, outros (quando não os mesmos) querem mais dinheiro para os seus gastos ou então querem chegar a casa às 6 da matina. Alguns descobrem ao espelho defeitos anatómicos que ninguém imagina existirem. Por vezes não comem, enquanto outros querem consumir aditivos para ficarem mais musculados. Frequentemente não sabem o que querem ser na vida, nem revelam interesse por nada de útil aos olhos dos pais. Quem não sabe para onde vai também dificilmente encontra motivação para estudar, quando há tantas outras coisas mais gratificantes, menos penosas e mais imediatas. Perante tais desalinhamentos de pontos de vista, é frequente entre pais e filhos cavarem-se silêncios perturbadores ou discussões acesas. Por vezes, ambas as coisas em alternância.
Está visto: é difícil ser adolescente e, já o sabíamos, é cada vez mais difícil ser pai ou mãe.
Acontece que há pessoas que por força da sua profissão se vêem confrontados com situações similares às festas de aniversário antes referidas. O problema é que não realizam uma festinha de vez em quando. Vivem “em festa” todos os dias e mais do que uma vez por dia. Mas fazem mais: não só encaram a rebeldia das crianças em grupo como algo normal como até são capazes de lhes conduzir o comportamento no sentido desejado, sentando-os quando têm que estar sentados, fazendo-os comer na hora de se alimentarem ou, abreviando, organizando-lhes jogos e outras diversões para que elas dêem vazão à sua interminável energia.
Está visto: é difícil ser educador mas, até há bem pouco tempo, ainda havia quem o fizesse com alegria.
Acontece também que há pessoas que por força da sua profissão têm de lidar diariamente não com um ou dois mas com mais de vinte jovens em simultâneo, que se procuram a si próprios e buscam um sentido para as suas vidas. Há quem consiga motivá-los e fazer com que aprendam e, até há bem pouco tempo, havia quem o fizesse com alegria.
Eram os professores.

BRADOS 700 - 13 NOVEMBRO 2008

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Melhores dias virão
Estão a ocorrer dois fenómenos que induzem a esperança de que melhores dias virão. Ainda que de forma irritantemente lenta, os preços dos combustíveis já começaram a baixar. Por outro lado, aqueles que estão a pagar empréstimos à habitação (com taxa de juro indexada à Euribor) poderão vir a registar um desagravamento do crescimento dos encargos ou até, mantendo-se a actual tendência, uma eventual diminuição destes (se a revisão da taxa ocorrer para lá de Dezembro).
Em contrapartida continuam a pairar no ar nuvens negras. São insistentes os rumores de que a actual crise financeira poderá preceder uma crise económica de dimensões inimagináveis há apenas algum tempo atrás. As razões explicam-se em poucas palavras. Se a crise financeira atingisse apenas o mercado de capitais – banca, empresas financeiras e investidores especulativos – alguns até diriam “Bem feita!”. O problema está no facto de muitos inocentes terem confiado as poupanças de uma vida de trabalho a certos fundos – agora classificados de “tóxicos” – e, de um dia para o outro, ficarem privados dos recursos que lhes iriam permitir continuar a consumir como até aqui. Isto já aconteceu na Islândia, está a acontecer nos Estados Unidos e, teme-se, poderá ainda acontecer noutros países. Sem recursos financeiros não há consumo, assim como deixa de haver financiamento à economia, factos que poderão gerar falências em catadupa, desemprego e, num círculo perigosamente vicioso, mais quebras na procura, mais falências, etc.. Bom, oxalá tal não aconteça.
Alternando com aquilo que se pensa serem boas notícias, o Governo anunciou uma subida do salário mínimo para 450 euros (mais 5,6%) e aumentos de 2,9% para a função pública, daqui resultando um acréscimo no rendimento das famílias na ordem dos 3%. Porém, quer o crescimento da massa salarial quer as injecções de dinheiro no mercado financeiro são manipulações artificiais (no sentido em que não ocorreriam sem haver um aumento efectivo na riqueza criada). Esperemos, pois, que tais medidas resultem conforme o que se deseja, sem que daí resultem “inchaços”, ou seja, meros aumentos de volume sem correspondência na substância (inflação).
Ao contrário, a redução da cotação do petróleo já é um reflexo do mecanismo de mercado a funcionar na sua plenitude. Perante a eminência da recessão económica, o mercado de matérias-primas ressentiu-se pela redução da pressão da procura. Este automatismo vai ser muito importante para a retoma económica. Todavia, não nos iludamos ao pensar que as causas estruturais do 3.º choque petrolífero estão ultrapassadas. Passada esta conjuntura o petróleo voltará a subir até que seja reduzida a dependência dos combustíveis fósseis.
Enfim, vamos acreditar que tudo irá correr pelo melhor!

BRADOS 699 - 30 OUTUBRO 2008

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